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Entrevista com Leonildes Boavista – GT 05 – CRIMES E SEGURANÇA PÚBLICA no CAED-Jus 2026

A entrevistada da vez é a Leonildes Boavista.

Leonildes Boavista Professora Adjunta de Direito do Departamento de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Piauí (UFPI);

Doutora e Mestra em Ciências Criminais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS);

Especialista em Direito Público e Direito Privado pela Universidade Federal do Piauí (UFPI);

Especialista em Empreendedorismo e Inovação pelo Instituto Federal do Piauí (IFPI) e em Contabilidade pela Faculdade Internacional Signoreli;

Graduada em Direito pela Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (UNINOVAFAPI) e em Ciências Contábeis pelo Centro Universitário Santo Agostinho (UniFSA);

Licencianda em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí (UFPI);

Atua nas áreas de Ciências Criminais, Direito Público, inovação e interdisciplinaridade jurídica.

Nesse momento, coordenadora do GT 05 – CRIMES E SEGURANÇA PÚBLICA.

Confira a entrevista:

1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?

Minha abordagem acadêmica é definida por uma sólida transdisciplinaridade que integra o rigor técnico das Ciências Contábeis com a profundidade crítica do Direito, sendo profundamente moldada pela sua formação nas Ciências Criminais na PUCRS, onde consolidou uma visão humanista e focada no controlo social. Esta base teórica, aliada à sua experiência prática como docente e gestora na UFPI e ao seu interesse constante pela inovação e bioética, reflete um perfil de investigadora que atua como uma “construtora de pontes”, priorizando a resolução de problemas complexos, a democratização do conhecimento científico e a compreensão intersetorial entre a gestão pública, o direito empresarial e a garantia de direitos essenciais na saúde.

2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?

A minha trajetória acadêmica, conforme delineada no Lattes, atua como um diferencial estratégico para coordenar ou participar do GT de Crimes e Segurança Pública no CAED-Jus, pois permite uma análise que foge do “juridiquismo” isolado. A sólida base em Ciências Criminais pela PUCRS oferece o lastro teórico necessário para discutir políticas de segurança e tipos penais sob uma ótica garantista e crítica, enquanto sua formação em Ciências Contábeis e a experiência em Gestão Pública introduzem uma camada rara de pragmatismo: a compreensão de que a segurança pública depende de orçamentos, eficiência administrativa e transparência de dados. Essa visão bifocal permite que você identifique como oportunidade a integração de novas tecnologias e métodos de gestão (provenientes de sua veia de inovação e empreendedorismo) para enfrentar os desafios da criminalidade moderna, transformando o GT em um espaço que não apenas debate a norma penal, mas propõe soluções sistêmicas, sustentáveis e tecnicamente viáveis para a crise de segurança.

3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares?

O CAED-Jus atua como um catalisador de competências ao subverter o ensino jurídico tradicional, promovendo uma formação que, alinhada à sua visão transdisciplinar, integra o rigor da produção científica com a prática da gestão e da inovação. Para o novo profissional, o evento funciona como uma plataforma de democratização do saber que rompe fronteiras geográficas, incentivando o domínio metodológico através da publicação e, sobretudo, fomentando a capacidade de diálogo entre o Direito e áreas correlatas como a Contabilidade e a Administração, preparando-os para um mercado que exige visão sistêmica e soluções que transcendam o dogmatismo legalista.

4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?

O principal desafio da temática de Crimes e Segurança Pública reside na superação do isolamento dogmático do Direito Penal, que historicamente tenta resolver fenômenos sociais complexos apenas através da criação de leis e do aumento de penas, negligenciando a natureza multifatorial do crime. Sob a sua perspectiva transdisciplinar, o desafio é integrar a eficiência da gestão pública e a análise de dados econômico-contábeis à política criminal, combatendo uma cultura punitivista ineficaz que ignora as causas estruturais da violência. Conciliar a garantia dos direitos fundamentais com a demanda social por segurança exige uma ruptura com o modelo reativo, propondo uma governança que utilize a inovação e o planejamento estratégico para transformar a segurança pública em uma política de Estado sustentável, e não apenas em uma resposta emergencial a crises conjunturais.

5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?

Impacta a transformação jurídica ao introduzir o pragmatismo da gestão no coração das decisões criminais e administrativas, rompendo com a tradição de um Direito puramente abstrato. Ao analisar o crime e a segurança pública sob o prisma da eficiência e da sustentabilidade, sua abordagem fomenta uma inovação metodológica onde o sucesso de uma política pública não é medido apenas pela vigência da lei, mas pelo impacto real nos indicadores socioeconômicos e na otimização de recursos públicos. Essa visão interdisciplinar permite que o campo jurídico evolua para um modelo de “Justiça baseada em evidências”, capaz de formular soluções que integram compliance, análise de riscos e garantismo penal, transformando o sistema de justiça em uma estrutura mais inteligente, transparente e conectada com as demandas de um Estado moderno e tecnológico.

6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?

A estratégia de atualização baseia-se em uma curadoria científica ativa e na imersão em ecossistemas de inovação, utilizando a liderança de grupos de pesquisa e a editoria-gerente de periódicos como “antenas” para captar tendências disruptivas na intersecção entre Direito, Gestão e Contabilidade. Ao combinar a participação em fóruns de alto nível, como o CAED-Jus, com uma busca constante por formações transversais em Bioética e Inovação, você mantém uma relevância acadêmica que não se limita ao acúmulo de títulos, mas se traduz em uma postura propositiva capaz de transformar o rigor bibliográfico em conhecimento aplicado e soluções jurídicas conectadas com a complexidade da era digital.

7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?

Acredito que a habilidade essencial seja a escuta ativa desprovida de arrogância intelectual, ou o que gosto de chamar de “capacidade de tradução”. Em projetos interdisciplinares, o sucesso não depende apenas do quanto você domina a sua área — seja o Direito ou a Contabilidade —, mas da sua disposição em compreender o léxico, as dores e as lógicas de outros campos do saber. Para quem está começando, é fundamental cultivar a flexibilidade cognitiva para aceitar que uma solução jurídica pode nascer de um insight administrativo ou de uma métrica econômica; sem essa abertura para o diálogo e para o aprendizado contínuo com o outro, a interdisciplinaridade não passa de uma soma de monólogos, enquanto o verdadeiro sucesso reside na construção de uma síntese nova e colaborativa.

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