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Entrevista com Isaias da Silva Moreira de Santana –coordenador GT 7 – DIREITO, GLOBALIZAÇÃO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS no CAED-Jus 2026

O entrevistado da vez é o Isaias da Silva Moreira de Santana.

Isaias da Silva Moreira de Santana Advogado, Mestre em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN);

Doutorando em Direito pela Faculdade de Direito do Recife da Universidade Federal de Pernambuco (FDR-UFPE);

Autor do livro “O Mercado de Carbono sob a Tutela do Acordo de Paris: Os Desafios de sua Transcrição no Direito Brasileiro”;

Membro da Latin American Climate Lawyers Initiative for Mobilizing Action (LACLIMA);

Integrante do Grupo de Pesquisa “Direito Internacional e Soberania do Estado Brasileiro”, vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);

Pesquisador nas áreas de Direito Internacional, mudanças climáticas e mercado de carbono.

Nesse momento, coordenador do GT 7 – DIREITO, GLOBALIZAÇÃO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Confira a entrevista:

1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?

Minha formação acadêmica foi profundamente influenciada pela interseção entre direito internacional, direito ambiental e políticas públicas climáticas. A experiência no mestrado em Direito pela UFRN, aliada à pesquisa voltada ao mercado de carbono e sua internalização no ordenamento jurídico brasileiro, contribuiu para o desenvolvimento de uma abordagem crítica e interdisciplinar. Além disso, a participação em redes internacionais, como a LACLIMA, ampliou minha perspectiva comparada, permitindo compreender os desafios regulatórios não apenas sob a ótica nacional, mas também global.

2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?

Minha trajetória acadêmica permite identificar que os principais desafios do GT estão relacionados à harmonização entre normatividade jurídica, eficiência econômica e sustentabilidade ambiental. Ao mesmo tempo, essa experiência evidencia oportunidades relevantes, especialmente no desenvolvimento de soluções jurídicas inovadoras e na construção de pontes entre teoria e prática. A vivência com pesquisa aplicada e análise de políticas públicas contribui para uma atuação orientada à resolução de problemas concretos.

3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares??

O CAED-Jus desempenha um papel estratégico na formação de profissionais capazes de lidar com problemas complexos e multifacetados. Mais do que transmitir conhecimento jurídico tradicional, a iniciativa promove o desenvolvimento de competências analíticas, críticas e interdisciplinares. Trata-se de um espaço essencial para a formação de juristas que dialoguem com áreas como economia, meio ambiente e tecnologia, alinhando-se às demandas contemporâneas da sociedade.

4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?

O principal desafio reside na construção de um marco regulatório que seja simultaneamente juridicamente seguro, economicamente viável e ambientalmente eficaz. No caso do mercado de carbono, isso envolve lidar com incertezas regulatórias, assimetrias informacionais e a necessidade de compatibilização com compromissos internacionais. Além disso, há o desafio de evitar soluções meramente formais que não
produzam impactos ambientais concretos.

5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?

A pesquisa sobre mercado de carbono e governança climática possui elevado potencial transformador, pois exige a integração entre direito, economia e ciência ambiental. Essa interface contribui para o desenvolvimento de novos instrumentos jurídicos, como mecanismos de precificação de carbono e modelos regulatórios híbridos. Além disso, fomenta uma atuação jurídica mais orientada por evidências e dados, o que tende a aumentar a efetividade das normas.

6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?

Busco constantemente atualização por meio da participação em redes acadêmicas internacionais, acompanhamento de negociações climáticas globais, análise de relatórios técnicos e produção científica recente. Além disso, a atuação em grupos de pesquisa e o diálogo com especialistas de diferentes áreas são fundamentais para manter uma visão abrangente e atualizada. A combinação entre pesquisa teórica e observação prática também é uma estratégia central.

7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?

A principal habilidade é a capacidade de diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. Isso envolve não apenas domínio técnico, mas também abertura epistemológica para compreender outras metodologias e formas de pensamento. A escuta ativa, a comunicação clara e a capacidade de traduzir conceitos complexos entre diferentes campos são competências indispensáveis para o sucesso em iniciativas interdisciplinares.

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