A entrevistada da vez é a Antocléia Santos.

Antocléia Santos. Licenciada em Filosofia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e em Sociologia pela UNIASSELVI;
Especialista em Supervisão Escolar pela Universidade Candido Mendes (UCAM-RJ);
Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Fernando Pessoa, Portugal;
Pós-Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ);
Servidora pública da Secretaria de Estado da Educação do Maranhão (SEDUC-MA);
Professora, escritora e pesquisadora nas áreas de Filosofia Contemporânea, Ética Social, Tecnologias Digitais, Educação e Políticas Públicas voltadas à pessoa idosa;
Autora do livro “Ética, Políticas Sociais e Envelhecimento”;
Organizadora de obras interdisciplinares sobre educação, direitos humanos, saúde, gênero e políticas públicas publicadas pela Editora Pembroke Collins;
Nesse momento, coordenadora do GT ESPECIAL: DIREITOS HUMANOS E EDUCAÇÃO – ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NO BRASIL.
Confira a entrevista:
1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?
Minha abordagem acadêmica foi moldada por uma trajetória multidisciplinar, que integra Filosofia, Ciências Sociais e Educação. Sou filósofa pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA – 2002), especialista em Supervisão Escolar pela Universidade Cândido Mendes (UCAM/RJ – 2004) e Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Fernando Pessoa (UFP/Portugal – 2014), com reconhecimento do título pela Universidade Federal do Ceará (UFC – 2018). Minha tese, intitulada “Ética e Política Social no Brasil na última década: Estudo sobre Exclusão Social em Idosos”, reflete meu compromisso com a pesquisa voltada para a compreensão crítica das dinâmicas sociais.
A seleção para o Doutorado em uma universidade portuguesa ampliou significativamente minhas perspectivas acadêmicas e profissionais, permitindo que eu transitasse por diferentes espaços da produção científica. Agora, estou aprofundando minha pesquisa do Doutorado no Pós-Doc em Saúde Coletiva sobre: Direito à Saúde: Ética e Cuidado à Pessoa Idosa no Brasil. Quanto à minha experiência docente, inclui o ensino de Filosofia, Ética e Cidadania e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) entre 2004 e 2006, além de atuação na Educação Básica da rede estadual do Maranhão desde 1994.
No campo da pesquisa, atuo como parecerista Ad hoc do periódico Olhar de Professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG-PR), da Revista NAUS – Revista Lusófona de Estudos Culturais e Comunicacionais (Portugal) e da Revista RASS – Revista ANPPREV de Seguridade Social (Brasília). Em 2021, ao ingressar no Programa de Produção Acadêmica (PPA), aprofundei minha atuação como pesquisadora e conheci o CAED-Jus, onde ampliei minha participação em debates acadêmicos e jurídicos. Atualmente, tenho a honra de ser membership do Conselho de Altos Estudos em Direito (CAED-Jus) e do Conselho de Altos Estudos em Educação (CAEDuca), espaços que reforçam meu compromisso com a excelência acadêmica e a produção de conhecimento relevante para a sociedade.
2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?
Minha trajetória acadêmica, construída na interface entre Filosofia, Ciências Sociais e Educação, contribui diretamente para uma compreensão crítica e sensível dos desafios e oportunidades do GT Direitos Humanos e Educação: enfrentamento à violência contra as mulheres no Brasil. A partir da Filosofia, desenvolvi uma base ética para analisar as violações de direitos e a necessidade de justiça social; das Ciências Sociais, aprofundei a compreensão das estruturas de desigualdade e das relações de poder que sustentam a violência de gênero; e, na Educação, consolidei o entendimento de que a escola é um espaço estratégico de prevenção, conscientização e transformação social. Minha experiência docente e em pesquisa, aliada à participação em espaços acadêmicos interdisciplinares, permite reconhecer que o grande desafio está em articular políticas públicas eficazes com práticas educativas que promovam uma cultura de respeito e equidade. Ao mesmo tempo, vejo como oportunidade o fortalecimento de diálogos entre Direito e Educação, potencializando ações que não apenas combatam a violência, mas que atuem na sua raiz, por meio da formação crítica e cidadã.
3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares?
O CAED-Jus exerce um papel estratégico na formação de novos profissionais do Direito e de áreas interdisciplinares ao promover um ambiente que integra rigor acadêmico, reflexão crítica e diálogo entre diferentes campos do conhecimento. Ao valorizar temas como direitos humanos, educação e políticas públicas, o CAED-Jus contribui para uma formação que ultrapassa a dimensão técnica do Direito, estimulando profissionais mais conscientes das desigualdades sociais e preparados para atuar de forma ética e transformadora. Além disso, ao incentivar a produção e a publicação científica, bem como a participação em Grupos de Trabalho, o espaço fortalece o protagonismo acadêmico e a construção coletiva do conhecimento.
4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?
A temática do GT Direitos Humanos e Educação: enfrentamento à violência contra as mulheres no Brasil evidencia um dos maiores desafios contemporâneos: transformar marcos legais já existentes em práticas efetivas de prevenção e proteção. O principal desafio está justamente em romper com a naturalização da violência de gênero, que ainda se sustenta em estruturas culturais, sociais e institucionais profundamente enraizadas. Isso exige mais do que legislação, demanda uma articulação consistente entre Direito, Educação e políticas públicas, capaz de promover uma formação crítica desde a base escolar até os espaços institucionais. Além disso, é fundamental considerar as interseccionalidades como: raça, classe e território – que intensificam as vulnerabilidades. Assim, o desafio central é construir estratégias integradas que não apenas respondam à violência, mas atuem em sua origem, promovendo uma cultura de respeito, equidade e garantia de direitos.
5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?
Minha área de pesquisa, situada na interface entre Filosofia, Ciências Sociais e Educação, pode contribuir de forma significativa para a transformação do campo jurídico ao ampliar a compreensão do Direito para além de sua dimensão normativa, incorporando uma leitura crítica das realidades sociais. A partir dessa perspectiva, é possível tensionar práticas jurídicas tradicionais e propor abordagens mais sensíveis às desigualdades estruturais, especialmente no que se refere aos direitos humanos e ao enfrentamento da violência contra as mulheres. A interdisciplinaridade permite, nesse sentido, não apenas interpretar o Direito, mas também subsidiar a formulação de políticas públicas mais eficazes e práticas educativas que atuem na prevenção das violações. Dessa forma, a inovação no campo jurídico emerge da articulação entre saberes, promovendo um Direito mais humanizado, comprometido com a equidade e capaz de dialogar com as complexidades da sociedade contemporânea.
6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?
Para me manter atualizada e relevante na minha área de pesquisa, adoto uma estratégia contínua de formação e articulação acadêmica. Participo ativamente de palestras, congressos e eventos nacionais e internacionais, o que me permite acompanhar debates contemporâneos e tendências emergentes. Além disso, integro grupos de estudo e pesquisa, espaços fundamentais para troca de experiências e aprofundamento teórico. Minha atuação como parecerista em periódicos científicos também contribui para o contato constante com produções recentes e diferentes abordagens metodológicas. Soma-se a isso o uso de ferramentas de Inteligência Artificial voltadas à pesquisa bibliográfica e à escrita científica, que otimizam o processo de busca e análise de dados. Essas estratégias, aliadas à minha experiência docente e à orientação de trabalhos acadêmicos, garantem uma atuação sempre atualizada, crítica e conectada às demandas atuais do campo interdisciplinar.
7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?
Penso que a habilidade essencial é a capacidade de dialogar entre diferentes áreas do conhecimento com abertura e rigor crítico. A interdisciplinaridade exige mais do que reunir saberes, requer escuta qualificada, flexibilidade intelectual e habilidade para articular conceitos distintos em uma análise coerente. É fundamental compreender que cada área possui seus métodos e linguagens próprias, e o desafio está justamente em construir pontes sem perder a profundidade. Minha experiência mostra que essa habilidade se fortalece na prática, especialmente em grupos de estudo, pesquisas coletivas e espaços acadêmicos diversos. Quando bem desenvolvida, ela permite não apenas integrar conhecimentos, mas produzir soluções mais completas, inovadoras e socialmente relevantes.
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