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Entrevista com Adriane de Oliveira Ningeliski–coordenadora GT 3 – DIREITO PRIVADO no CAED-Jus 2026

A entrevistada da vez é a Adriane de Oliveira Ningeliski.

Adriane de Oliveira Ningeliski. Pós-Doutora pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Portugal, na linha de Ciências Jurídico-Privadas;

Doutora e Mestra em Direitos Fundamentais e Democracia pelo Centro Universitário Autônomo do Brasil (UniBrasil/PR);

Especialista em Direito Civil, Processual Civil e Responsabilidades Parentais pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa;

Graduada em Direito pela Universidade do Contestado;

Docente da Universidade do Contestado – Mafra, Santa Catarina, e servidora do Poder Judiciário de Santa Catarina;

Pesquisadora nas áreas de Mediação, Direito de Família e Direito da Criança e do Adolescente;

Líder do grupo de pesquisa “Direito Contemporâneo e Cidadania” da Universidade do Contestado;

Membra do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) e da Associação de Direito de Família e das Sucessões (ADFAS);

Autora dos livros “Acesso à Justiça pelos Caminhos da Mediação” e “A Família na Ordem Constitucional e Social: fundamentos para uma compreensão do ontem, hoje e quiçá do amanhã”;

Organizadora de obras acadêmicas e autora de artigos nas áreas de Direito de Família, mediação e cidadania.

Nesse momento, coordenadora do GT 3 – DIREITO PRIVADO.

Confira a entrevista:

1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?

O Direito sempre foi uma grande paixão. Desde a infância, sonhava em defender a justiça e lutar pelo que é correto. Assim, minha trajetória acadêmica começou com a graduação em Direito e, em um primeiro momento, com a atuação na advocacia, seguida do exercício como serventuária da justiça. Contudo, foi a docência que despertou, de forma mais intensa, o interesse pelo universo acadêmico, levando-me a buscar o mestrado, o doutorado e, posteriormente, o pós-doutoramento, sempre com pesquisas voltadas à família, concebida como o locus em que o ser humano se realiza.

2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?

Sou docente há mais de 15 anos na área do Direito Civil e disciplinas afins, além de atuar em Vara de Família e orientar dezenas de pesquisas no âmbito do Direito Civil e da Infância e Juventude. Minhas pesquisas e leituras, desenvolvidas ao longo de décadas, concentram-se no Direito de Família, Sucessões e Infância e Juventude, razão pela qual mantenho constante atualização acerca das novas nuances dessas áreas do conhecimento.

3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares??

O debate de pesquisas nas mais diversas áreas proporciona aos profissionais do Direito uma imersão no que há de mais atual na produção científica, permitindo o acesso e a troca de informações em rede. Ademais, mesmo quando há pesquisas sobre temáticas semelhantes, sempre existirão posicionamentos diversos, o que possibilita o enriquecimento do debate. Essa rede favorece a colaboração entre pesquisadores, que passam a contribuir mutuamente com suas percepções acerca das inovações e transformações do Direito.

4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?

O Direito Privado caracteriza-se como a forma mais elementar de regulação das relações entre particulares, presentes desde os primórdios das sociedades. Assim, para compreender as razões pelas quais o Direito regula atualmente essas relações, é necessário voltar o olhar ao passado, valendo-se da História, bem como compreender o ser humano em suas comunidades por meio da Antropologia; recorrer à Sociologia para analisar as relações sociais; e à Psicologia para compreender as subjetividades que influenciam os comportamentos humanos, entre tantas outras áreas do conhecimento. O grande desafio reside na capacidade de o Direito buscar suporte em outras áreas do conhecimento para solucionar questões que não consegue resolver de forma isolada, especialmente no âmbito familiar, em que, muitas vezes, sentimentos desarrazoados conduzem a litígios prolongados e de difícil resolução efetiva apenas com as ferramentas de que o Direito dispõe.

5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?

Minhas pesquisas concentram-se no Direito de Família, Sucessões e Infância e Juventude, áreas que acompanham a trajetória do ser humano ao longo da vida — do nascimento ao período de vulnerabilidade (infantoadolescência), passando pela fase adulta até o fim da vida. Todos percorrem esse caminho e, portanto, compreender, estudar e analisar essas etapas à luz do Direito é de grande relevância. Cada indivíduo possui uma trajetória singular, influenciada por suas próprias escolhas ou por contextos familiares, especialmente no âmbito da tutela parental. Embora o ser humano possua individualidade, vive em sociedade, o que torna necessária a interlocução com outras áreas do conhecimento para melhor compreender e auxiliar o indivíduo em sua trajetória.

6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?

O mestrado, o doutorado e o pós-doutoramento contribuíram significativamente para a manutenção de uma rotina contínua de leitura e pesquisa sobre temas atuais. Além disso, desde 2010 atuo como docente na área, o que exige constante atualização sobre as inovações nos campos em que pesquiso. Soma-se a isso a orientação anual de diversos alunos, cujas pesquisas abordam problemáticas contemporâneas e relevantes, o que também contribui para a permanente renovação do conhecimento.

7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?

Entendo que a perseverança é uma das habilidades essenciais para aqueles que buscam atuar em projetos interdisciplinares. A disposição para conhecer além de sua área de formação, compreendendo fatores externos que influenciam a atuação do Direito, revela-se de grande valor para a solução de problemas jurídicos. Nesse contexto, a busca constante por conhecimento é fundamental para o profissional que almeja excelência, pois permite a análise das questões de forma mais ampla, contextualizada e integrada.

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