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Entrevista com Luan Tarlau Balieiro–coordenador GT: 12 – TEMAS CONTEMPORÂNEOS no CAED-Jus 2026

O entrevistado da vez é o Luan Tarlau Balieiro.

Luan Tarlau Balieiro Doutor em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM);

Realizou Estágio Científico Avançado em Ciências da Educação na Universidade do Minho, Portugal, com apoio do CNPq;

Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM);

Licenciado em Letras pela UEM, com Láurea Acadêmica de Graduação, e em Pedagogia pelo Centro Universitário Cidade Verde (UniCV);

Especialista em Docência na Educação Superior, Libras, Linguagem Jurídica e Revisão de Textos;

Docente no ensino superior, atuando no curso de Bacharelado em Direito e na pós-graduação lato sensu na área de Língua Portuguesa;

Vice-Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Básica e Superior (GEDUC/CNPq) e Pesquisador Externo no Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho, Portugal;

Autor de pesquisas sobre capitalismo de plataforma, digitalização e educação superior, além de organizador de coletâneas acadêmicas na área da educação;

Coordenador do GT 10 – Temas Contemporâneos de Educação nas edições de 2024 e 2025 do Conselho Internacional de Altos Estudos em Educação (CAEduca).

Nesse momento, coordenador do GT: 12 – TEMAS CONTEMPORÂNEOS

Confira a entrevista:

1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?

Minha trajetória acadêmica foi fortemente marcada pela articulação entre Educação, Linguagem e Política, especialmente a partir de uma perspectiva crítica da produção do conhecimento. A formação no Programa de Pós-Graduação em Educação (UEM), aliada à experiência internacional na Universidade do Minho (Portugal), contribuiu para ampliar meu olhar sobre os processos de digitalização e regulação na Educação Superior. Além disso, o diálogo com referenciais, a exemplo dos autores da Sociologia da Educação, tem orientado minha compreensão do pesquisador como um intelectual situado, comprometido com a análise das transformações contemporâneas. A atuação docente no curso de Direito também tem sido fundamental para aproximar teoria e prática, especialmente no campo da comunicação jurídica.

2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?

Minha experiência acadêmica, especialmente no campo da Educação e da produção discursiva, permite compreender os desafios do GT a partir de uma perspectiva interdisciplinar, que articula linguagem, tecnologia e formação crítica. Ao investigar o processo de digitalização no âmbito da Educação Superior, tenho observado como os mecanismos de produção do conhecimento estão sendo reconfigurados, o que impacta diretamente áreas, como o Direito. Nesse sentido, o GT se apresenta como um espaço privilegiado para problematizar essas transformações e pensar caminhos formativos que considerem tanto os desafios quanto as potencialidades desses novos contextos.

3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares?

O CAED-Jus desempenha um papel fundamental ao promover o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento, especialmente ao reconhecer que o Direito não se sustenta de forma isolada. A formação de profissionais contemporâneos exige a capacidade de interpretar fenômenos complexos, que envolvem dimensões tecnológicas, sociais e políticas. Nesse sentido, eventos, como o CAED-Jus, contribuem para ampliar repertórios, fomentar o pensamento crítico e incentivar a construção de práticas jurídicas mais reflexivas e socialmente comprometidas, além de aproximar estudantes e pesquisadores de debates atuais e relevantes.

4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?

Um dos principais desafios está em evitar abordagens superficiais da interdisciplinaridade, que muitas vezes se limitam à justaposição de áreas sem uma real integração teórica e metodológica. Pensar temas contemporâneos exige compreender as mediações entre educação, tecnologia, política e linguagem, o que demanda rigor analítico e abertura ao diálogo entre diferentes campos. No caso do Direito, isso implica reconhecer que fenômenos, como a digitalização, a plataformização e a produção de dados, impactam diretamente práticas jurídicas e exigem novas formas de interpretação e atuação profissional.

5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?

Minha área de pesquisa contribui ao evidenciar que os processos de produção do conhecimento, inclusive no campo jurídico, estão cada vez mais mediados por tecnologias digitais e por lógicas de plataformização. Isso impacta desde a formação dos profissionais até a forma como o Direito é praticado e interpretado. Ao analisar essas transformações, é possível contribuir para uma atuação mais crítica e consciente, que reconheça tanto as potencialidades quanto os riscos dessas mediações tecnológicas, especialmente no que se refere à produção de dados, à automação e à circulação de informações.

6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado e relevante dentro da sua área de pesquisa?

Tenho buscado manter uma atuação articulada entre pesquisa, ensino e participação em redes acadêmicas nacionais e internacionais. A inserção em grupos de pesquisa, como o GEDUC, e em centros de investigação, como o CIEd/Universidade do Minho, tem sido fundamental para o diálogo contínuo com pesquisadores da área. Além disso, a participação em eventos científicos, a produção acadêmica e o acompanhamento de publicações recentes permitem não apenas uma atualização constante, mas também a problematização crítica das tendências emergentes, especialmente no campo da digitalização da educação.

7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?

A principal habilidade é a capacidade de diálogo crítico entre diferentes áreas do conhecimento. Projetos interdisciplinares exigem não apenas abertura para outras perspectivas, mas também rigor na articulação teórica e metodológica. Isso implica saber transitar entre diferentes linguagens acadêmicas, reconhecer limites e potencialidades de cada campo e construir problemas de pesquisa que realmente demandem essa integração. Mais do que acumular conhecimentos, trata-se de desenvolver uma postura reflexiva, capaz de compreender a complexidade dos fenômenos contemporâneos.

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