A entrevistada da vez é a Michele Padilla Vígari.
Michele Padilla Vígari Pesquisadora da Primeira Infância, pedagoga e doutora em Educação pela Universidade de Sorocaba (UNISO);
Mestra em Educação pela Universidade de Sorocaba (UNISO);
Pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e Neuropsicopedagogia Clínica;
Professora de Educação Básica – Primeira Infância – na Prefeitura Municipal de Sorocaba;
Atua com orientação de pais pela Disciplina Positiva e acompanhamento de crianças com dificuldades de aprendizagem;
Pesquisadora nas áreas de educação infantil, educação especial, prática docente, creche e orientação de pais;
Membra do Grupo de Estudos e Pesquisas em Democracia, Ecologias e Cotidianos Escolares (GEDECE), integrado à Rede de Laboratórios e Grupos de Pesquisa em Educação, Imagens, Sons e Afetos (REISA);
Autora da tese “Neoliberalismo, Cotidianos Escolares e Infância: pistas cartográficas entre a Educação Especial e a Creche”.
Nesse momento, coordenadora do GT ESPECIAL: DIREITOS HUMANOS E EDUCAÇÃO – ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NO BRASIL.
Confira a entrevista:
1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?
Minha abordagem acadêmica foi profundamente moldada pelo meu cotidiano como professora de creche, especialmente nos encontros com crianças da Educação Especial. As experiências reais, muitas vezes marcadas pela falta de apoio, pelas desigualdades e pelos desafios da inclusão, me atravessaram de forma muito intensa. Além disso, minha trajetória de 27 anos na Educação, somada às leituras críticas sobre neoliberalismo, formação docente e infância, contribuíram para a construção de uma perspectiva que valoriza o cotidiano, as narrativas e a escuta sensível como produção de conhecimento.
2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?
Minha experiência acadêmica me permite compreender os desafios não apenas no campo teórico, mas na materialidade das práticas. Isso contribui para que eu leve ao GT uma visão que articula teoria e prática, especialmente ao pensar políticas públicas, direitos e inclusão. Vejo como oportunidade trazer o cotidiano da Educação Infantil para o centro do debate, ampliando a compreensão sobre como as decisões jurídicas impactam diretamente a vida das crianças, das famílias e das professoras.
3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares?
Entendo o CAED-Jus como um espaço fundamental de formação crítica e interdisciplinar, que possibilita o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. Ele contribui para formar profissionais mais sensíveis às questões sociais, capazes de compreender que o direito não é neutro, mas atravessado por realidades complexas. Esse espaço amplia olhares e fortalece a construção de práticas mais comprometidas com a justiça social.
4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?
O principal desafio é tornar visíveis as realidades que muitas vezes são invisibilizadas, como o cotidiano da Educação Infantil e da Educação Especial. Além disso, é romper com visões fragmentadas, que não consideram a complexidade das relações sociais. Pensar o direito de forma interdisciplinar exige reconhecer que políticas públicas, educação e condições de trabalho estão profundamente conectadas.
5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?
Minha área de pesquisa pode contribuir ao trazer para o campo jurídico as vozes do cotidiano das crianças, das professoras, das práticas reais. Isso possibilita pensar políticas e decisões mais conectadas com a realidade. Ao dialogar com narrativas e cartografia, a pesquisa amplia formas de compreender os territórios e pode contribuir para uma atuação jurídica mais sensível, contextualizada e comprometida com os direitos sociais.
6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?
Utilizo principalmente a participação em grupos de pesquisa, leituras constantes, trocas com outros pesquisadores e, sobretudo, a escuta atenta do cotidiano escolar. Minha prática docente também é um espaço contínuo de aprendizagem e reflexão, que me mantém conectada com as transformações e desafios da área.
7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?
Acredito que a principal habilidade é a escuta — uma escuta aberta, sensível e disposta ao diálogo. Trabalhar de forma interdisciplinar exige reconhecer que não há um único saber, mas múltiplas formas de compreender a realidade. Além disso, é fundamental ter abertura para o novo, disposição para aprender com o outro e compromisso com a construção coletiva do conhecimento.
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