O entrevistado da vez é o Carlos Nogueira Aucélio.

Carlos Nogueira Aucélio Professor Associado III da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB);
Atua na graduação e pós-graduação nas áreas de Neuropsiquiatria, Pediatria, Neuropediatria, Neuroanatomia e Neurociências;
Mestre e Doutor em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN);
Pós-Doutor pela Ambra University e fellow em Saúde do Adolescente pelo Children’s Hospital de Los Angeles;
Possui formação nas áreas de Neurociências, Psicofarmacologia, Saúde Mental, Pedagogia, Docência e Gerontologia;
Psicanalista formado pelo Instituto Gaio, Doutor em Psicanálise pela Sociedade de Psicanálise de São Paulo e Doutor em Teologia pelo Instituto Logos de Teologia;
Coordenador do projeto de extensão e pesquisa “Neurociência & Sociedade”, voltado à integração entre ciência, educação, saúde mental e sociedade;
Autor dos livros “Neurociência Descomplicada: Fundamentos e Aplicações Clínicas”, “Neurociência e o Neurodesenvolvimento Humano”, “Educação Hoje” e “Triunfo da Graça e Desenvolvimento Espiritual”;
Pesquisador na interface entre Neurociência, Saúde Mental, Educação, Psicanálise e Direito.
Nesse momento, coordenador do GT: 12 – TEMAS CONTEMPORÂNEOS
Confira a entrevista:
1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?
Minha trajetória acadêmica foi profundamente influenciada pela integração entre ciência básica, clínica e reflexão humanística. A formação em neurociências e neuropsiquiatria permitiu compreender que fenômenos humanos complexos — como comportamento, tomada de decisão, sofrimento psíquico e responsabilidade moral — não podem ser analisados apenas sob uma única perspectiva disciplinar. A prática clínica, associada à pesquisa científica e à docência universitária, consolidou uma visão transdisciplinar do conhecimento. Experiências em pesquisa, produção científica e atuação editorial reforçaram o compromisso com evidência científica, pensamento crítico e diálogo entre áreas, especialmente entre saúde, ética e direito.
2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?
A experiência acadêmica em neurociência aplicada ao comportamento humano oferece uma base privilegiada para discutir temas jurídicos contemporâneos, como imputabilidade, neurodireitos, saúde mental, violência, tomada de decisão e políticas públicas. O principal desafio do GT é justamente construir uma linguagem comum entre áreas que historicamente evoluíram separadamente. Vejo o CAED-Jus como um espaço de convergência epistemológica, onde o direito pode dialogar com evidências empíricas provenientes das ciências cognitivas e médicas. Essa integração amplia as oportunidades de inovação jurídica baseada em conhecimento científico sólido.
3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares?
O CAED-Jus possui papel estratégico na formação de profissionais capazes de enfrentar problemas complexos do século XXI. O jurista contemporâneo necessita compreender dimensões psicológicas, biológicas, tecnológicas e sociais envolvidas nos conflitos humanos. Ao estimular grupos interdisciplinares, o centro contribui para formar profissionais mais críticos, éticos e cientificamente orientados. Além disso, promove uma cultura acadêmica colaborativa, rompendo a fragmentação do conhecimento e incentivando soluções jurídicas mais humanizadas e baseadas em evidências.
4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?
O maior desafio reside em superar reducionismos metodológicos. Nem o direito pode ignorar os avanços científicos sobre o funcionamento do cérebro e do comportamento humano, nem as neurociências podem desconsiderar as dimensões normativas, éticas e sociais que estruturam o sistema jurídico. A construção de pontes conceituais exige rigor científico, humildade epistemológica e abertura ao diálogo. Outro desafio importante é traduzir achados científicos complexos em aplicações jurídicas responsáveis, evitando tanto o determinismo biológico quanto interpretações simplificadas da ciência no campo jurídico.
5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?
As neurociências têm potencial transformador significativo no direito contemporâneo. Estudos sobre cognição, emoção, impulsividade, memória e tomada de decisão contribuem para debates sobre responsabilidade penal, capacidade civil, avaliação pericial, políticas de prevenção da violência e justiça terapêutica. A neuropsiquiatria também auxilia na compreensão da interface entre saúde mental e sistema judicial, favorecendo práticas mais humanizadas e eficazes. Essa aproximação possibilita um direito mais científico, preventivo e orientado à realidade biopsicossocial do indivíduo.
6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?
A atualização contínua ocorre por meio da leitura sistemática de literatura científica internacional, participação em congressos, colaboração com grupos de pesquisa e atuação editorial em periódicos científicos. A interdisciplinaridade exige acompanhamento simultâneo de diferentes áreas, como neurociência cognitiva, psiquiatria, ética biomédica e estudos jurídicos emergentes. Além disso, a prática docente e a orientação acadêmica funcionam como motores permanentes de renovação intelectual, pois o diálogo com estudantes e pesquisadores estimula novas perguntas científicas e abordagens inovadoras.
7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?
A habilidade essencial é a capacidade de diálogo epistemológico, isto é, compreender os limites e potenciais de cada área do conhecimento. Projetos interdisciplinares exigem escuta ativa, linguagem acessível entre especialistas e disposição para aprender fora da própria zona de conforto acadêmico. Além do domínio técnico, são fundamentais pensamento crítico, colaboração e respeito às diferentes metodologias científicas. A verdadeira interdisciplinaridade não significa apenas reunir áreas distintas, mas construir conhecimento novo a partir da integração real entre elas.
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