A entrevistada da vez é a Adriano Da Silva Ribeiro.

Adriano Da Silva Ribeiro Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Direito e da Graduação em Direito da Universidade FUMEC;
Professor da Pós-Graduação da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (EJEF/TJMG);
Professor Diretor de Tese no Doutorado em Ciências Jurídicas e Sociais da Universidad del Museo Social Argentino (UMSA);
Pós-Doutor em Direito pela Universidade FUMEC e pela Universidad del Museo Social Argentino (UMSA);
Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino (UMSA) e Mestre em Direito pela Universidade FUMEC;
Editor Assistente e Responsável Técnico da Revista Meritum do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade FUMEC;
Associado do Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito (CONPEDI) e do Instituto Popperiano de Estudos Jurídicos (INPEJ);
Assessor Judiciário no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e ex-Chefe de Gabinete da Presidência do TJMG;
Coautor e organizador de obras jurídicas nas áreas de Direito Público, Processo Civil e métodos de solução de conflitos;
Coordenador-Adjunto, Editor-Chefe dos Periódicos e Diretor de Relações Institucionais do Instituto Mineiro de Direito Processual (IMDP);
Membro da Academia Brasileira de Direito Civil (ABDC) e do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade FUMEC;
Líder do Grupo de Pesquisas Empíricas em Direito e Jurimetria (GEDJUR), registrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Nesse momento, coordenadora do GT 4 – SOLUÇÃO DE CONFLITOS E PROCESSO.
Confira a entrevista:
1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?
Minha trajetória é fruto de uma construção sólida que une a dedicação aos estudos com o amor incondicional da minha família. Nos estudos, tive a sorte de conhecer diversos profissionais apaixonados pela docência, que sempre se dedicaram com muito amor ao que faziam. Focando no Direito, a Graduação na UERJ, o Mestrado e o Doutorado na UNESA e as experiências de pós-doutorado na UFF e na UERJ permitiram-me enxergar o Direito não apenas como norma, mas como instrumento de justiça social. A influência de grandes processualistas e a vivência na advocacia me ensinaram que a técnica deve estar a serviço da celeridade e da ética. Para mim, o equilíbrio entre a vida acadêmica e o núcleo familiar é o que garante a sensibilidade necessária para tratar de temas complexos como o acesso à justiça.
2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?
A atuação como professora desde a graduação até o programa de Mestrado e Doutorado, e a pesquisa sobre acesso à justiça em suas diferentes vertentes com a consequente rede de pesquisadoras construída oferecem uma contribuição que se espera que seja profícua e substancial com o CAED-Jus. No GT, trago a visão de que a academia deve produzir soluções práticas que impactem positivamente a sociedade.
3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares?
O CAED-Jus proporciona um importante intercâmbio de saberes, incentivando o pensamento crítico e a produção científica de qualidade. Essa troca interdisciplinar é vital, pois o Direito contemporâneo não pode mais ser lido isoladamente de áreas como a tecnologia e a sociologia. Esse intercâmbio fortalece a formação humanística e técnica, preparando o profissional para os desafios de um mercado globalizado e carente de soluções éticas e inovadoras.
4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?
O principal desafio da pesquisa voltada ao Processo Civil e Efetividade é a harmonização da duração razoável na era digital com as garantias fundamentais. A interdisciplinaridade surge como necessidade no enfrentamento da litigiosidade e no uso de inteligência artificial pelo Judiciário. Precisamos garantir que a tecnologia auxilie na eficiência sem desumanizar as decisões ou excluir os mais vulneráveis. O desafio é, portanto, manter a segurança jurídica e o olhar atento ao indivíduo em um cenário de padronização decisória e aceleração tecnológica constante.
5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?
A pesquisa voltada para o acesso à justiça e seus diversos desdobramentos impacta diretamente o sistema jurídico. O primeiro ponto é não limitar o acesso à justiça ao acesso ao Judiciário, trazendo múltiplas opções em um cenário voltado ao desenvolvimento econômico. Ao integrar conceitos de gestão e eficiência, podemos transformar a forma como o Judiciário lida com conflitos. A inovação interdisciplinar ocorre quando utilizamos dados e ferramentas tecnológicas para otimizar o fluxo processual, sob supervisão humana, garantindo que o direito chegue ao cidadão de forma mais célere. Esse impacto vai além dos tribunais, influenciando a segurança nos negócios e a proteção de direitos individuais e coletivos.
6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?
A academia exige estudo contínuo e atualização constante e, para isso, a participação ativa em redes de pesquisa é muito importante. Como docente, estou sempre revisitando obras, teorias e, como profissional, busco trazer a conexão entre teoria e prática em todos os cenários de atuação. Por fim, a leitura constante de periódicos e a participação em congressos interdisciplinares são pilares de atualização.
7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?
A habilidade mais essencial é a escuta ativa. Em projetos interdisciplinares, é preciso estar aberto a compreender linguagens e métodos de diferentes áreas do conhecimento. O sucesso vem da capacidade de traduzir conceitos jurídicos para outras esferas e, inversamente, absorver conhecimentos externos para enriquecer a norma. Ter uma visão sistêmica permite ao pesquisador construir pontes e encontrar soluções que uma visão puramente legalista jamais alcançaria.
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