A entrevistada da vez é a Eliene Silva Dias.
Eliene Silva Dias Doutora em Ciências da Educação pela Universidad Tecnológica Intercontinental (UTIC/ASU);
Mestra em Governança e Desenvolvimento pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP);
Especialista em Gestão de Pessoas no Serviço Público e em Secretariado Executivo;
Administradora, teóloga, secretária executiva e docente;
Servidora pública do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), atuando na área de Auditoria Interna;
Pesquisadora nas áreas de governança, gestão pública, políticas públicas, educação, direito e desenvolvimento social;
Coordenadora da Faculdade Teológica Batista de Brasília (FTBB);
Mentora acadêmica e organizadora de coletâneas científicas;
Coordenadora de Grupos de Trabalho em congressos internacionais;
Atua na orientação de pesquisadores de pós-graduação e na produção de pesquisas voltadas à governança pública, políticas institucionais e transformação social.
Nesse momento, coordenador do GT ESPECIAL: DIREITO E TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS NO ESTADO CONTEMPORÂNEO.
Confira a entrevista:
1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?
Minha trajetória acadêmica foi moldada pela compreensão de que o conhecimento precisa produzir transformação real na sociedade. O Mestrado em Governança e Desenvolvimento, pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), ampliou minha visão sobre políticas públicas, gestão institucional e o impacto das decisões administrativas na vida das pessoas, especialmente no contexto do serviço público e do Poder Judiciário.
Posteriormente, o Doutorado em Ciências da Educação fortaleceu ainda mais minha perspectiva interdisciplinar, permitindo aprofundar reflexões sobre educação, formação humana e desenvolvimento social. A pesquisa acadêmica passou a ser compreendida não apenas como produção científica, mas como instrumento de mudança, inovação e fortalecimento institucional.
Paralelamente, minha atuação na área da Teologia, especialmente na Educação Cristã e na formação de lideranças, também exerce forte influência sobre minha abordagem acadêmica. Trabalhar com capacitação de líderes, desenvolvimento ministerial e formação teológica na Faculdade Teológica Batista de Brasília me permite integrar princípios de liderança, ética, serviço e responsabilidade social à produção do conhecimento. Essa vivência fortalece minha convicção de que educar, liderar e pesquisar são dimensões inseparáveis quando o objetivo é promover transformação consistente e duradoura.
2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?
Minha experiência acadêmica e profissional permite observar o Direito não apenas como norma, mas como ferramenta de organização social e promoção de justiça. Atuando com governança pública, auditoria e desenvolvimento institucional, percebo diariamente como as transformações sociais exigem respostas jurídicas mais dinâmicas, eficientes e humanizadas. O GT “Direito e Transformações Sociais no Estado Contemporâneo” exige exatamente essa leitura crítica: compreender como o Direito acompanha, ou muitas vezes demora a acompanhar, as mudanças sociais, tecnológicas e institucionais que impactam o Estado e a sociedade.
3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares??
O CAED-Jus 2026 cumpre um papel relevante ao romper a ideia de que o Direito deve ser estudado de forma isolada. O evento promove um ambiente de diálogo entre diferentes áreas do conhecimento, permitindo que pesquisadores, docentes e profissionais construam soluções mais completas e realistas para os desafios contemporâneos. Para os novos profissionais, essa vivência é essencial, pois amplia a capacidade crítica, fortalece a produção científica e desenvolve uma visão mais estratégica e socialmente responsável da atuação jurídica.
4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?
O principal desafio está em compreender que as transformações sociais acontecem em velocidade muito superior à adaptação das estruturas jurídicas e institucionais. O Direito precisa responder a fenômenos complexos como novas tecnologias, mudanças nas relações de trabalho, demandas por inclusão, combate às desigualddes e fortalecimento da cidadania. Pensar o Estado contemporâneo exige superar modelos tradicionais e construir respostas jurídicas mais eficientes, preventivas e socialmente sensíveis. O GT busca exatamente esse debate: refletir sobre como o Direito pode deixar de ser apenas reativo e se tornar efetivamente transformador.
5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?
Minha área de pesquisa dialoga com governança, educação, teologia, políticas públicas e desenvolvimento institucional, temas diretamente relacionados ao Direito contemporâneo. Quando tratamos de governança pública, falamos também de transparência, controle, responsabilidade institucional e efetividade das normas, aspectos essenciais para a credibilidade das instituições.
A educação fortalece a formação crítica e a cidadania, contribuindo para uma cultura jurídica mais consciente e participativa. A teologia, por sua vez, oferece importante contribuição no campo da hermenêutica, desenvolvendo a capacidade de interpretação contextual e análise profunda, fundamentais também para a hermenêutica jurídica. Além disso, princípios como justiça, dignidade humana, ética e responsabilidade social aproximam Direito e teologia. Essa integração permite pensar soluções mais humanas e eficazes, mostrando que a inovação jurídica não está apenas em novas normas, mas na construção de instituições mais éticas e comprometidas com a transformação social.
6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?
A atualização permanente exige disciplina intelectual e conexão com diferentes áreas do conhecimento. Busco manter uma rotina constante de leitura de artigos científicos, normativos institucionais, acórdãos, relatórios técnicos e produções acadêmicas nacionais e internacionais, especialmente nas áreas de Direito, governança, educação e políticas públicas.
A participação em congressos, grupos de pesquisa e eventos interdisciplinares também é fundamental, pois amplia o debate e fortalece a construção de novas perspectivas. Além disso, o networking com operadores do Direito, magistrados, servidores, advogados, pesquisadores e demais profissionais da área jurídica, contribui significativamente para compreender os desafios práticos das instituições e aproximar a pesquisa acadêmica da realidade profissional.
Minha atuação como mentora acadêmica e docente também me mantém em contato constante com novas demandas, temas emergentes e reflexões que fortalecem a produção científica e a relevância da pesquisa.
7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?
A principal habilidade é a capacidade de escuta intelectual. Projetos interdisciplinares exigem humildade acadêmica para compreender que nenhuma área do conhecimento é suficiente sozinha. É preciso saber dialogar, respeitar diferentes métodos e construir pontes entre saberes distintos. Além disso, é fundamental desenvolver pensamento crítico, rigor metodológico e clareza argumentativa. A interdisciplinaridade não é a soma de áreas, mas a construção de novas respostas a partir da integração entre elas.
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