O entrevistado da vez é o Luiz Filipe Goldfeder Reinecke.

Luiz Filipe Goldfeder Reinecke Professor Associado de Administração Pública da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC);
Líder do Centro de Investigação em Governo Aberto e Transparência (CIGAT);
Graduado, Mestre e Doutor em Administração pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC/ESAG);
Pesquisador nas áreas de governo aberto e transparência, governança pública, políticas públicas e economia solidária;
Participa de associações científicas como CIRIEC Brasil, SBAP, ANPECP e ANPAD;
Colabora com organizações da sociedade civil e instituições ligadas à gestão pública e governança;
Membro do Observatório da Reforma Administrativa do Movimento Pessoas à Frente.
Nesse momento, coordenador do GT: 2 – DIREITO PÚBLICO.
Confira a entrevista:
1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?
Eu gosto de dizer que foi a extensão universitária que me fez vivenciar a universidade por completo, e por culpa dela (extensão) eu nunca mais saí. Esta relação entre sociedade e universidade moldaram minha formação e me direcionou a uma atuação acadêmica engajada em causas, sempre em posição de mediação entre a sociedade civil/movimentos sociais e governos. Esta influência me direcionou para a produção de pesquisa aplicada e um ensino articulado com a extensão universitária.
2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?
A minha área mãe, a Administração Pública, é uma área interdisciplinar e que possui muita influência/relação com o campo do Direito. Vejo que o CAED-Jus por ter esta característica da relação do direito com a área interdisciplinar possibilita uma interface muito rica de trocas entre as áreas de conhecimento que bebem do direito.
3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares??
O CAED-Jus é um espaço dos mais democráticos para a participação desde estudantes de graduação a pesquisadores doutores. Sua modalidade à distância também diminui barreiras para a participação e ao mesmo tempo possibilita a conexão entre os pesquisadores.
4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?
Creio que o Direito Público tem uma ampla interface com áreas da Administração Pública que estão em constante atualização como o direito administrativo, tributário, constitucional, financeiro e o internacional. Qual destas áreas que não estão na agenda de debates nacionais e internacionais neste momento? E quais as contribuições da academia para estes desafios? Creio que o espaço para este debate seja o GT 02.
5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?
A minha principal área de interface com o Direito são os estudos de governança e governo aberto, dando destaque para as inovações democráticas como os conselhos de políticas públicas e a transparência. Estas áreas são temáticas muito recentes e o Brasil é um grande celeiro de inovações nestas áreas, sendo áreas que estão em alta na agenda de pesquisa à partir dos anos 2000. Pensar o desenho institucional destas iniciativas é muito aderente ao Direito.
6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?
Creio que a construção de redes sempre foi e continua sendo o motor da minha constante atualização enquanto pesquisador. E o CAED-Jus é um espaço riquíssimo para este processo de construção e consolidação de redes.
7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?
Um dos grandes aprendizados que tenho nesta minha caminhada acadêmica foi pensar sempre em quem vai ler e utilizar o conhecimento que estamos gerando. Isso nos ajuda como pesquisadores a procurar beber de outras bases teóricas e escrever para um público mais amplo que da nossa própria área. Outro ponto é fazer parcerias com colegas de outras áreas de conhecimento, isso é riquíssimo para nossa formação enquanto pesquisadores.
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