A entrevistada da vez é a Juliele Ferreira.
Juliele Ferreira Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Inclusão da Universidade Federal Fluminense (PGCTIn/UFF);
Confira a entrevista:
1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?
Minha trajetória acadêmica foi profundamente marcada pela experiência na educação básica, pelo contato cotidiano com estudantes em suas múltiplas formas de aprender e pela atuação com educação inclusiva. Essas vivências me ensinaram que a produção científica precisa nascer do diálogo entre teoria, prática e compromisso social.
Também foram fundamentais minha formação em Pedagogia, Psicopedagogia, Educação Especial, Tecnologias Educacionais e, atualmente, o doutorado em Ciência, Tecnologia e Inclusão. Ao longo desse percurso, autores como Paulo Freire, Maturana, Vygotsky e Dewey contribuíram para consolidar uma abordagem acadêmica sensível, crítica e comprometida com a transformação das práticas pedagógicas e sociais.
2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?
Minha experiência acadêmica na educação, na inclusão e na pesquisa em Ciência, Tecnologia e Inclusão contribui para compreender o GT Tecnologia e Sociedade como um espaço essencial de debate sobre os impactos sociais, éticos e educacionais das tecnologias.
O MBA em IA Acadêmico ampliou minha visão sobre as novas possibilidades da Inteligência Artificial na pesquisa, na produção científica e na inovação pedagógica, mas também reforçou a importância do uso crítico, responsável e inclusivo dessas ferramentas.
3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares??
Enxergo o CAED-Jus como um espaço formativo essencial, capaz de ampliar o olhar dos novos profissionais do Direito e de outras áreas para além da técnica, aproximando conhecimento acadêmico, compromisso social e atuação cidadã.
Ao promover debates interdisciplinares, o CAED-Jus contribui para formar profissionais mais críticos, éticos e sensíveis às demandas contemporâneas, especialmente diante dos desafios relacionados à tecnologia, inclusão, justiça social, direitos humanos e transformação da sociedade.
4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?
Concebo como principal desafio do GT Tecnologia e Sociedade compreender a tecnologia para além do uso instrumental, analisando seus impactos éticos, sociais, jurídicos e educacionais.
Em tempos de Inteligência Artificial e transformação digital, o maior desafio é garantir que a inovação tecnológica caminhe junto com a inclusão, a responsabilidade, a proteção de direitos e a justiça social, evitando que as tecnologias ampliem desigualdades já existentes.
5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?
Minha área de pesquisa, Ciência, Ensino, Tecnologia e Inclusão, podem contribuir para o campo jurídico ao ampliar o olhar sobre o direito como prática social, educativa e inclusiva. Essa perspectiva permite aproximar o debate jurídico de temas como acessibilidade, cidadania digital, justiça social, formação crítica e uso ético das tecnologias.
Em termos interdisciplinares, acredito que essa área pode impactar a inovação jurídica ao propor novas formas de pensar a inclusão, a mediação tecnológica, a produção de conhecimento e a garantia de direitos, especialmente em contextos marcados por desigualdades sociais, educacionais e digitais.
6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?
Para manter-me atualizada e relevante na minha área de pesquisa, busco articular formação contínua, participação em congressos, leitura de artigos científicos e acompanhamento de debates sobre ciência, ensino, tecnologia e inclusão.
Também utilizo recursos digitais e ferramentas de Inteligência Artificial para apoiar a organização de estudos, o mapeamento de referências, a análise de tendências acadêmicas e a produção científica, sempre com postura crítica, ética e responsável.
7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?
Acredito que a habilidade essencial é a escuta qualificada. Em projetos interdisciplinares, não basta dominar apenas a própria área; é preciso saber dialogar com outros campos do conhecimento, compreender diferentes linguagens e construir soluções coletivas.
A interdisciplinaridade exige abertura, humildade acadêmica e capacidade de integrar saberes diversos em torno de problemas reais da sociedade.
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