O entrevistado da vez é o Arthur Bezerra de Souza Junior.

Arthur Bezerra de Souza Junior Advogado, economista e cientista político;
Pós-Doutor pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pela Universidade Santa Úrsula (USU);
Doutor em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie;
Especialista em Direito Público pela Legale;
Coordenador Regional da Escola Superior de Advocacia de São Paulo (ESA/SP – 16ª Região);
Professor universitário;
Atual Secretário Municipal de Assuntos Jurídicos de Araçatuba, São Paulo;
Autor dos livros “Brasil em Trânsito: entre dependência e liberdade econômica” e “Fundamentos de Ciência Política”;
Membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), do Instituto Brasileiro de Estudos em Direito Administrativo, Financeiro e Tributário (IBEDAFT) e da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE).
Nesse momento, coordenador do GT: 2 – DIREITO PÚBLICO.
Confira a entrevista:
1) Quais foramas principais influências ouexperiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?
Minha abordagem acadêmica foi moldada pela atuação prática no poder público municipal, onde enfrento concretamente as tensões entre norma, decisão e política. Ao mesmo tempo, dialogo com autores como Hannah Arendt, Michel Foucault e Zygmunt Bauman, que influenciam minha leitura crítica da modernidade. A docência em Direito e Ciência Política me levou a sistematizar e tornar acessíveis conceitos complexos sem perder densidade teórica. Também fui impactado por formações como a de Michael J. Sandel, voltadas ao debate público e moral. Assim, construí uma perspectiva que integra prática institucional, teoria crítica e compromisso pedagógico.
2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?
Minha experiência acadêmica, fortemente ancorada no Direito Público e na prática institucional municipal, permite enxergar com clareza os desafios concretos do GT-2, especialmente na tensão entre normatividade e efetividade. A vivência com temas como orçamento, transparência e controle — à luz de decisões do STF — contribui para uma análise crítica e aplicada. Ao mesmo tempo, o diálogo com a teoria política amplia a compreensão dos impactos institucionais e democráticos dessas questões. Identifico como oportunidade central a construção de soluções que aproximem dogmática jurídica e realidade administrativa. Assim, minha contribuição tende a ser pragmática, crítica e orientada à governança pública eficiente.
3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares?
Vejo o CAED-Jus como um espaço estratégico de formação que supera o ensino jurídico tradicional, ao integrar teoria, prática e interdisciplinaridade. Seu papel é preparar pesquisadores capazes de compreender o Direito para além da norma, dialogando com áreas como ciência política, economia e gestão pública. Ao estimular pesquisa aplicada e pensamento crítico, contribui para formar juristas mais conscientes dos desafios institucionais contemporâneos. Também funciona como ponte entre academia e realidade profissional, aproximando o aluno dos problemas concretos do setor público. Assim, fortalece uma formação mais completa, reflexiva e orientada à transformação social.
4) A temáticado seu Gt é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?
O principal desafio do Direito Público, sob uma perspectiva interdisciplinar, é superar o formalismo jurídico sem perder rigor técnico, integrando efetivamente contribuições da ciência política, economia e gestão pública. Trata-se de compreender que normas não operam no vazio, mas dentro de estruturas institucionais complexas, permeadas por interesses, capacidades estatais e limitações concretas. Outro desafio central é transformar princípios como transparência, eficiência e controle em práticas efetivas, e não apenas declarações normativas. Além disso, é preciso equilibrar segurança jurídica e inovação institucional, especialmente diante de demandas sociais cada vez mais dinâmicas. Em síntese, o desafio está em fazer o Direito Público dialogar com a realidade sem abdicar de sua função estruturante.
5) De que maneira você acha que sua área depesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?
A pesquisa em Direito Público pode impactar a inovação jurídica ao aproximar a dogmática da realidade institucional, especialmente em temas como orçamento, transparência e governança. Ao dialogar com ciência política, economia e gestão pública, é possível desenvolver soluções mais eficazes e aplicáveis, superando o formalismo estéril. Essa abordagem contribui para qualificar políticas públicas, aprimorar mecanismos de controle e fortalecer a capacidade decisória do Estado. Também permite repensar institutos tradicionais à luz de novos desafios sociais e tecnológicos. Assim, o Direito Público torna-se vetor de transformação concreta, e não apenas de sistematização normativa.
6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?
Mantenho-me atualizado por meio de leitura constante de doutrina qualificada, acompanhamento sistemático da jurisprudência — especialmente do STF — e participação em eventos acadêmicos. A docência também me exige revisão permanente de conteúdos e diálogo com novas abordagens teóricas. Além disso, minha atuação como Secretário de Assuntos Jurídicos me coloca diante de inúmeros casos reais e concretos, que procuro transformar em estudos de caso. Essa interação entre prática e teoria mantém minha produção relevante e aplicada. Assim, consigo alinhar atualização acadêmica com experiência institucional efetiva.
7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?
A habilidade essencial é a capacidade de diálogo interdisciplinar, ou seja, compreender minimamente outras áreas e traduzir o Direito para além de sua linguagem técnica. Isso exige abertura intelectual, escuta ativa e disposição para rever premissas. Também é fundamental desenvolver pensamento crítico aplicado, capaz de conectar teoria e realidade. A comunicação clara, sem perder rigor, é outro diferencial importante. Em síntese, o sucesso está em articular saberes distintos sem perder a consistência jurídica.
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