O entrevistado da vez é o Mariana Oliveira.
Mariana Oliveira Jurista, professora universitária, advogada e escritora;
Associada do escritório Bottega & Bottega Advogados Associados;
Mestra em Ensino pela Universidade de Cuiabá (UNIC);
Especialista em Direito de Família e Sucessões pela Escola Brasileira de Direito (EBRADI) e em Direito Civil e Processo Civil pela Universidade Candido Mendes (UCAM);
Bacharela em Direito pela Universidade de Cuiabá (UNIC) e graduanda em Filosofia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS);
Coautora do livro “Reflexões sobre as Relações Afetivas no Direito das Famílias”;
Organizadora e coautora de coletâneas sobre Direito das Famílias, Direitos Humanos e relações familiares publicadas pela Editora Pembroke Collins;
Autora de artigos nas áreas de Ciências Jurídicas, Filosofia e Ensino;
Co-idealizadora dos projetos “Café em Família” e “PPJ – Programa de Prática Jurídica”;
Associada ao Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) e ao Instituto dos Advogados Mato-Grossenses (IAMAT);
Membra da Comissão de Direito das Famílias e Sucessões da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB/MT), gestão 2025/2027.
Nesse momento, coordenador do GT ESPECIAL: DIREITO E TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS NO ESTADO CONTEMPORÂNEO.
Confira a entrevista:
1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?
Minha trajetória acadêmica foi profundamente influenciada pela conjugação entre a prática jurídica, a docência e a pesquisa interdisciplinar. A atuação como advogada me proporcionou contato direto com as complexidades sociais e humanas que permeiam o direito, permitindo compreender que a ciência jurídica não pode ser analisada de forma isolada. Paralelamente, os quase de dez anos de experiência no magistério superior consolidaram uma perspectiva crítica e reflexiva acerca da formação jurídica contemporânea. A produção e organização de obras nas áreas do direito, filosofia e ensino também contribuíram significativamente para o amadurecimento de uma abordagem acadêmica pautada no diálogo entre diferentes campos do conhecimento. Além disso, a constante participação em grupos de pesquisa, eventos científicos e projetos acadêmicos, com iniciativas plurais como a do Caed-Jus, fortaleceu minha compreensão acerca da necessidade de um direito mais crítico e conectado às transformações sociais.
2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?
Minha experiência acadêmica anterior contribui diretamente para uma visão ampla e estratégica acerca dos desafios e oportunidades do GT Direito e Transformações Sociais no Estado Contemporâneo no CAED-Jus. A vivência simultânea na advocacia, na docência e na produção científica permitiu desenvolver uma compreensão interdisciplinar do direito, especialmente no que se refere à articulação entre teoria e prática. Ao longo da minha trajetória, percebi que os grandes desafios contemporâneos exigem diálogo constante entre diferentes áreas do conhecimento, o que reforça a relevância dos grupos temáticos como espaços de construção coletiva. Além disso, a experiência na organização de obras e projetos acadêmicos contribuiu para o desenvolvimento de competências relacionadas à pesquisa colaborativa e incentivo à produção científica. Assim, entendo o GT como um ambiente propício para fomentar debates críticos, inovação acadêmica e soluções jurídicas mais integradas à realidade social.
3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares??
Vejo o CAED-Jus como um espaço extremamente relevante para a formação acadêmica, científica e profissional de novos juristas e pesquisadores de áreas interdisciplinares. Sua proposta vai além da transmissão tradicional do conhecimento jurídico, promovendo uma formação crítica, plural e conectada às demandas contemporâneas da sociedade. Em um cenário marcado por constantes transformações sociais, tecnológicas e institucionais, iniciativas como o CAED-Jus possibilitam o fortalecimento do pensamento interdisciplinar e da pesquisa colaborativa. Além disso, o ambiente acadêmico construído pelo Congresso de Altos Estudos em Direito estimula o desenvolvimento de competências essenciais, como análise crítica, produção científica, diálogo entre áreas e responsabilidade social. Acredito que seu papel também se destaca na democratização do conhecimento e na valorização de perspectivas inovadoras dentro do campo jurídico e educacional.
4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?
A principal dificuldade relacionada à temática interdisciplinar consiste, justamente, em romper com paradigmas tradicionais ainda muito presentes no ensino e na pesquisa jurídica. Historicamente, o direito foi estruturado sob uma perspectiva mais dogmática, dicotômica e compartimentalizada, o que muitas vezes dificulta o diálogo efetivo com outras áreas do conhecimento. Entretanto, os problemas contemporâneos são complexos e demandam abordagens múltiplas, capazes de integrar aspectos sociais, filosóficos, tecnológicos, educacionais e humanos. Nesse contexto, o grande desafio é construir pontes epistemológicas que permitam uma atuação verdadeiramente interdisciplinar, sem perder o rigor científico de cada área envolvida. Também considero fundamental superar resistências acadêmicas e incentivar metodologias mais colaborativas, críticas e inovadoras no processo de pesquisa e formação.
5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?
Acredito que a pesquisa interdisciplinar possui um potencial transformador significativo no campo jurídico, especialmente porque amplia a compreensão do direito para além das estruturas normativas tradicionais. Minha área de pesquisa busca justamente promover diálogos entre direito, filosofia, educação e sociedade, permitindo uma leitura mais crítica e humanizada das relações jurídicas. Esse tipo de abordagem favorece a construção de soluções mais adequadas às demandas contemporâneas, sobretudo diante de desafios relacionados à tecnologia, inclusão, ética e acesso à justiça. Além disso, a interdisciplinaridade contribui para o desenvolvimento de práticas acadêmicas e profissionais mais inovadoras, estimulando novas metodologias de ensino, pesquisa e atuação jurídica. Entendo que a transformação do direito passa necessariamente pela capacidade de integrar diferentes saberes e compreender a complexidade da realidade social.
6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?
Procuro investir continuamente em formação acadêmica, participação em eventos científicos, grupos de pesquisa, produção bibliográfica e participação de programas de produção acadêmica. Além disso, a atuação simultânea na docência e na advocacia contribui para uma atualização permanente, pois permite observar tanto as discussões teóricas quanto os desafios práticos do cotidiano jurídico. A participação em projetos coletivos, organização de livros e intercâmbio com pesquisadores de diferentes áreas também são estratégias fundamentais para ampliar perspectivas e fortalecer a produção científica interdisciplinar. Considero que a atualização acadêmica exige não apenas acúmulo de conhecimento, mas também abertura ao diálogo e disposição para revisitar conceitos e metodologias.
7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?
Para quem está iniciando em projetos interdisciplinares, considero que a habilidade mais essencial é a capacidade de diálogo. Trabalhar de forma interdisciplinar exige abertura intelectual, escuta qualificada e disposição para compreender diferentes perspectivas teóricas e metodológicas. Muitas vezes, profissionais de áreas distintas utilizam linguagens, conceitos e formas de análise diferentes, e o sucesso da interdisciplinaridade depende justamente da construção de pontes entre esses saberes. Além disso, acredito que a flexibilidade acadêmica e o pensamento crítico são competências fundamentais para lidar com a complexidade dos problemas contemporâneos. Também é importante desenvolver sensibilidade humana e colaboração, pois projetos interdisciplinares se fortalecem quando há troca genuína de experiências e construção coletiva do conhecimento.
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