O entrevistado da vez é o Rodrigo Luiz Zanethi.

Rodrigo Luiz Zanethi Advogado, professor e pesquisador nas áreas de Direito Aduaneiro, Direito Portuário, Comércio Exterior, Direito Tributário e Direito Empresarial;
Atua em demandas judiciais e administrativas envolvendo importação, exportação, regimes aduaneiros especiais, fiscalização aduaneira, logística internacional e operações portuárias;
Possui trajetória voltada à atuação estratégica no comércio internacional e na atividade portuária brasileira;
Autor do livro “Governança Global e o Papel da OMC”;
Árbitro da Câmara de Arbitragem Marítima, Portuária e Comércio Exterior do Rio de Janeiro (CAMARJ);
Membro da Câmara de Comércio e Indústria Bélgica-Luxemburgo;
Professor universitário e pesquisador em temas relacionados à regulação do comércio internacional e governança global.
Nesse momento, coordenador do GT 7 – DIREITO, GLOBALIZAÇÃO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Confira a entrevista:
1) Quais foram as principais influências ou experiências que moldaram sua abordagem acadêmica até hoje?
Minha abordagem acadêmica foi moldada pela combinação entre a prática profissional intensa e o estudo sistemático do Direito aplicado às relações econômicas internacionais. A atuação em casos concretos envolvendo importação, exportação, fiscalização aduaneira, operações portuárias e conflitos empresariais revelou que o Direito não pode ser compreendido de forma isolada. Ele dialoga constantemente com economia, logística, tributação, tecnologia, administração pública e relações internacionais. Essa vivência me levou a uma perspectiva acadêmica voltada à solução de problemas reais, sem perder o rigor técnico, dogmático e institucional que a pesquisa jurídica exige.
2) Como a sua experiência acadêmica prévia contribui para a sua visão sobre os desafios e oportunidades do seu GT no CAED-Jus?
Minha experiência acadêmica e profissional contribui para enxergar o GT como um espaço privilegiado de reflexão crítica sobre temas que afetam diretamente o desenvolvimento econômico e institucional do país. Áreas como Direito Aduaneiro, Direito Portuário e Comércio Exterior exigem uma leitura interdisciplinar, pois envolvem normas jurídicas, políticas públicas, infraestrutura, regulação, tributação e competitividade internacional. O grande desafio é aproximar a produção acadêmica dos problemas concretos enfrentados por empresas, operadores logísticos, órgãos públicos e profissionais do Direito. A oportunidade está justamente em formar um ambiente de debate qualificado, capaz de produzir conhecimento útil, crítico e transformador.
3) Como você enxerga o papel do CAED-Jus na formação de novos profissionais do direito e em outras áreas interdisciplinares?
O CAED-Jus exerce um papel relevante ao estimular a pesquisa, o diálogo acadêmico e a formação de profissionais capazes de compreender o Direito em sua dimensão contemporânea. O profissional jurídico atual precisa ir além da interpretação normativa tradicional: deve compreender dados, economia, tecnologia, relações institucionais, políticas públicas e impactos sociais das decisões jurídicas. Ao reunir pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais de diferentes áreas, o CAED-Jus contribui para uma formação mais crítica, plural e conectada com os desafios concretos da sociedade. Trata-se de um espaço importante para desenvolver pensamento interdisciplinar e vocação científica.
4) A temática do seu GT é fundamental para pensar o direito de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da sua temática?
O principal desafio está em superar uma visão fragmentada do Direito. Em temas como comércio exterior, tributação aduaneira, regulação portuária e logística internacional, uma decisão jurídica pode gerar impactos econômicos, operacionais e sociais muito relevantes. A retenção de uma mercadoria, por exemplo, não envolve apenas uma discussão processual ou administrativa; pode afetar contratos, cadeias produtivas, custos logísticos, abastecimento e competitividade empresarial. Por isso, a temática exige diálogo constante entre Direito, economia, gestão pública, infraestrutura, tecnologia e relações internacionais. O desafio é construir soluções juridicamente sólidas, mas também eficientes e compatíveis com a realidade operacional.
5) De que maneira você acha que sua área de pesquisa pode impactar a transformação ou inovação no campo jurídico, especialmente em termos interdisciplinares?
Minha área de pesquisa pode contribuir para a transformação do campo jurídico ao demonstrar que a atuação do Direito é decisiva para a eficiência das operações econômicas e para a segurança das relações internacionais. No comércio exterior e no setor portuário, a inovação jurídica passa pela simplificação de procedimentos, pela previsibilidade regulatória, pelo uso de tecnologia, pela modernização da fiscalização e pela redução de conflitos desnecessários. A pesquisa interdisciplinar permite identificar gargalos e propor soluções que conciliem controle estatal, competitividade empresarial e segurança jurídica. Assim, o Direito deixa de ser apenas instrumento de contenção e passa a ser também vetor de desenvolvimento.
6) Quais recursos ou estratégias você utilizou para manter-se atualizado(a) e relevante dentro da sua área de pesquisa?
Procuro manter uma rotina permanente de atualização por meio do estudo da legislação, da jurisprudência, dos atos normativos dos órgãos reguladores e das decisões administrativas relacionadas ao comércio exterior e ao setor portuário. Também considero essencial acompanhar a realidade prática dos casos concretos, pois muitas das grandes questões jurídicas surgem da operação diária das empresas e da Administração Pública. Além disso, a preparação de aulas, cursos, pareceres e peças jurídicas exige constante revisão bibliográfica e análise crítica dos novos cenários econômicos e institucionais. A atualização, nessa área, depende da união entre pesquisa acadêmica, prática profissional e observação da realidade.
7) Para quem está começando a se envolver com projetos interdisciplinares, qual habilidade você acredita ser essencial para o sucesso nesse tipo de iniciativa?
A habilidade essencial é a capacidade de dialogar com outras áreas sem abrir mão da profundidade técnica da própria formação. Projetos interdisciplinares exigem escuta, humildade intelectual e disposição para compreender linguagens diferentes, como economia, gestão, tecnologia, logística ou políticas públicas. No campo jurídico, isso significa reconhecer que a norma não existe em abstrato: ela produz efeitos concretos sobre pessoas, empresas, instituições e mercados. O profissional que consegue integrar conhecimento jurídico sólido com sensibilidade prática e abertura ao diálogo tende a construir soluções mais criativas, eficientes e socialmente relevantes.
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